EN 15628:2025 explicada: a norma europeia para a qualificação em manutenção
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A EN 15628:2025 é a norma europeia que define os níveis de qualificação do pessoal de manutenção, do técnico de base ao gestor estratégico.
Publicada em novembro de 2025, refina a edição de 2024 sem alterar a sua lógica de fundo. Este artigo detalha o que a norma abrange e o que significa para as organizações de manutenção.
Introdução
A maioria das organizações de manutenção forma as pessoas como sempre formou: no posto de trabalho, com quem tiver tempo para mostrar ao recém-chegado o que faz cada válvula. Essa abordagem funciona até deixar de funcionar, normalmente no momento em que o técnico experiente se reforma e leva consigo vinte anos de conhecimento não documentado. A EN 15628:2025 existe porque o setor precisava de uma referência comum para o que é, de facto, um técnico de manutenção qualificado, independentemente do país ou da indústria.
A norma foi publicada oficialmente em novembro de 2025, substituindo a edição de 2024. Não reescreve o modelo, aperta-o: clarifica os níveis de competência e elimina ambiguidades que vieram ao de cima assim que as organizações começaram a aplicar a versão anterior na prática. Para os gestores de manutenção que constroem programas de formação ou preparam auditorias, perceber a estrutura da EN 15628:2025 está a tornar-se tão relevante como conhecer a ISO 55000 para a gestão de ativos.
1. O que a EN 15628:2025 define de facto
A EN 15628:2025 é uma norma europeia que estabelece uma referência para a qualificação do pessoal de manutenção, aplicável de forma transversal às indústrias em vez de estar presa a um setor. Dá às organizações uma forma estruturada de definir o que significa competência em cada etapa da carreira, em vez de assentar em juízos informais e inconsistentes sobre quem tem “experiência suficiente” para uma dada tarefa.
A norma está construída em torno de quatro áreas. A estrutura de qualificação transversal ao setor garante que o modelo se aguenta quer se faça manutenção a uma linha de embalagem ou a uma central elétrica, permitindo ainda assim que objetivos específicos de cada setor caibam lá dentro. O desenvolvimento de competências trata a aprendizagem contínua como requisito e não como acessório, obrigando os técnicos a acompanhar novas ferramentas e métodos em vez de congelarem o conhecimento no momento da contratação. A avaliação de competências fornece orientações para verificar se o pessoal consegue realmente executar as funções que lhe são atribuídas, o que parece óbvio até se perceber com que raridade é feito formalmente. A segurança e conformidade liga a qualificação diretamente à consciência do risco, no pressuposto de que um técnico sem formação suficiente é um risco de segurança antes de ser um problema de produtividade.
A norma define também quatro níveis de carreira, cada um caracterizado pela responsabilidade, pelo conhecimento técnico e pela capacidade organizacional, e não apenas pelo título da função.
- Nível 1, básico, abrange os técnicos que executam tarefas simples sob supervisão apertada, com bom conhecimento do equipamento mas capacidade de decisão autónoma limitada.
- Nível 2, intermédio, abrange os técnicos que lidam com intervenções de complexidade moderada, diagnóstico básico de avarias e utilização corrente de ferramentas digitais como a interface de um CMMS.
- Nível 3, avançado, abrange os profissionais capazes de diagnóstico complexo, planeamento de intervenções e otimização de processos de manutenção, tipicamente engenheiros ou técnicos seniores.
- Nível 4, estratégico, abrange as funções responsáveis por definir a estratégia de manutenção, gerir orçamentos e recursos e ligar o desempenho da manutenção aos objetivos globais do negócio.
A norma evita deliberadamente prescrever conteúdos de formação exatos ou critérios de verificação para cada nível, deixando isso a organismos setoriais. É uma opção sensata. Um processo de verificação desenhado para técnicos de centrais nucleares seria completamente desadequado para uma linha de embalagem alimentar, e tentar forçar um único molde a todas as indústrias tornaria a norma inutilizável na prática.
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2. Quatro benefícios práticos da aplicação da norma EN 15628:2025
A EN 15628:2025 não é um exercício abstrato de conformidade. Bem aplicada, muda a forma como a formação, a contratação e o desempenho são geridos no dia a dia, com efeitos mensuráveis tanto nas pessoas como nos ativos.
1. Planos de formação estruturados substituem o acolhimento improvisado
As organizações passam a ter um referencial claro do que cada função exige, o que torna o desenho dos programas de formação muito menos adivinhação e muito mais repetível. Os recém-contratados têm um percurso definido em vez de acompanharem quem estiver livre nessa semana, e essa consistência reflete-se diretamente na rapidez com que atingem plena produtividade.
2. Diagnóstico de avarias mais rápido e mais rigoroso
Técnicos mais bem qualificados identificam e diagnosticam avarias mais depressa e com menos tentativas falhadas, o que encurta os tempos de intervenção de forma transversal. E não é um ganho marginal: o tempo de diagnóstico é muitas vezes a maior componente isolada do tempo médio de reparação, mais do que a reparação física em si.
3. Maior retenção de pessoal
O investimento no desenvolvimento técnico tende a melhorar a satisfação no trabalho e a reduzir a rotatividade, porque as pessoas ficam mais tempo em funções onde conseguem ver um percurso de progressão claro. Perder um técnico de Nível 3 para um concorrente que oferece desenvolvimento de carreira estruturado é uma falha cara e perfeitamente evitável.
4. Maior disponibilidade dos ativos e vida útil prolongada
Equipas qualificadas executam trabalho preventivo e corretivo com mais eficácia, reduzindo as falhas não planeadas e as intervenções desnecessárias que, em silêncio, desgastam o equipamento mais depressa do que as próprias falhas. A ênfase da norma na competência traduz-se diretamente em disponibilidade, que é o número que qualquer diretor de fábrica realmente valoriza.

3. Perguntas frequentes
Questões comuns sobre a EN 15628:2025
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1. O que mudou entre as edições de 2024 e 2025?
A edição de 2025 refina em vez de reformular o modelo de 2024: melhora a coerência entre os perfis profissionais, ajusta as definições dos níveis de competência e reduz ambiguidades que as organizações assinalaram depois de tentarem aplicar a versão anterior.
2. A EN 15628:2025 é obrigatória?
Não. É uma norma europeia voluntária, embora as organizações em setores de risco elevado, onde pessoal não qualificado representa um risco acrescido de segurança, tratem muitas vezes o cumprimento como efetivamente obrigatório por razões de responsabilidade civil e de seguros.
3. A norma especifica que cursos de formação são exigidos?
Não. Define níveis de competência e estruturas de carreira, mas deixa deliberadamente os conteúdos de formação e os critérios de verificação a organismos setoriais, porque os requisitos variam demasiado entre indústrias para serem normalizados a esse nível.
4. Como se relaciona a EN 15628:2025 com os sistemas CMMS?
Um CMMS apoia o cumprimento ao organizar registos de formação, acompanhar certificações, automatizar alertas de renovação e documentar avaliações de competência, tarefas que de outra forma se tornam difíceis de gerir de forma consistente à medida que o efetivo cresce.
5. Que funções são abrangidas pela norma?
Define quatro níveis que abrangem Técnico de Manutenção, Supervisor de Manutenção, Engenheiro de Manutenção e Gestor de Manutenção, distinguidos pelo âmbito de responsabilidade, pelo conhecimento técnico e pelo envolvimento organizacional.
6. Porque é que a qualificação importa mais hoje do que há uma década?
A manutenção envolve cada vez mais ferramentas digitais, sensores IoT e decisão assente em dados, para além das competências mecânicas tradicionais, o que alarga a distância entre pessoal adequadamente formado e pessoal sem formação suficiente — e a escassez de mão de obra qualificada torna essa distância mais difícil de fechar apenas através de contratação.
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Implementação
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Formação
A formação é a componente que interioriza e dá sustentabilidade à solução no Cliente.
Conclusão: a qualificação como ativo operacional, não como papelada
A EN 15628:2025 dá às organizações de manutenção uma linguagem comum para a competência, estruturando aquilo que antes eram juízos informais sobre quem está pronto para que tarefa. Os benefícios — diagnóstico mais rápido, melhor retenção, maior disponibilidade dos ativos — não são teóricos: decorrem diretamente de ter pessoas qualificadas a fazer o trabalho, verificadas face a uma norma definida e não apenas pela antiguidade.
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Sobre o Autor
João Novais
Licenciado em Engenharia Mecânica pela Universidade Nova de Lisboa, é atualmente consultor de gestão de manutenção e implementador da solução ManWinWin na Navaltik Management. É responsável pela implementação de projetos de sistemas de gestão da manutenção, tanto a nível nacional como internacional.